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Desde criança veraneando na Praia de Camboriú vi o crescimento constante do lugar e as minhas lembranças remontam os anos quarenta quando o mundo enfrentava a Segunda Guerra Mundial.
Os alemães que se aventuraram a explorar aquele espaço da praia com sua paisagem deslumbrante, de mar calmo e areia macia, de vegetação rasteira e verdejante, foram surpreendidos com suas casas depredadas pela fúria do movimento contra os nazistas perseguindo todo aquele que tivesse um nome alemão.
Nós passeávamos pela praia e constatávamos a destruição das casas que pertenciam aos alemães, chamados de “quinta colunas”. Portas quebradas, vidraças estilhaçadas, telhados descobertos mostravam a desolação interferindo naquela paisagem de tanta beleza.
Naquele tempo a praia já possuía dois Hotéis: o Hotel Miramar, uma construção de madeira com janelas grandes tipo guilhotina e vidros pequenos, situado de frente para o mar e para a rua que dava acesso à praia, e o Balneário Hotel um pouco mais adiante, de frente para o mar, construído de alvenaria, com dois pavimentos também com janelas grandes envidraçadas. Este último pertencia à Dª. Lili Onkel mãe de duas filhas muito bonitas, uma delas, Carmen, ainda hoje morando em Balneário Camboriú.
Alguns metros adiante deste Hotel havia uma construção sólida, de dois pavimentos, de bonita arquitetura que pertencia à família Renaux, de Brusque.
Quase no final da praia, perto da barra, num grande terreno com muitos eucaliptos ficava a casa dos padres onde, aos domingos de manhã, assistíamos a missa.
Numa casa da Rua Central, cujo terreno dava fundos para a nossa, morava a família Beduschi e seus filhos, Nilton e Nelita, eram nossos amigos de brincadeiras debaixo das lindas árvores do quintal.
Mais adiante, na mesma rua e em direção à praia vinham as casas dos nossos conhecidos de Itajaí. Seu João Cabral e Dª. Nemi moravam ao lado da casa do seu Gabriel Collares com Dª. Zica e suas filhas, Anna Maria e Márcia, que regulavam minha idade eram nossas amiguinhas. Seu Luiz Gazaniga e Dª. Carminha, com seu sobrinho e filho adotivo Ivo Collares moravam em frente. Por ali também morava a família do seu Nino Santos que era parente das famílias acima mencionadas. Também freqüentava a praia a família do seu João Macedo.
Os divertimentos eram poucos. Além de passear na praia e tomar banho de sol e mar, tomávamos um lanche à tarde com café com leite, banana frita com farofa e pão de casa que comprávamos, fresquinho, de uma moradora da praia.
Algumas pessoas passavam a tarde fazendo um joguinho de cartas.
Nas noites quentes de lua cheia costumávamos passear pela praia que ficava mais ampla por causa da maré baixa. Pés descalços, roupas simples e bem confortáveis nos garantiam momentos de grande prazer e descontração.
Dormir nos colchões fofos, cheios de palha de milho, e nos travesseiros de paina, bem frescos, nos proporcionava o repouso necessário para acordar tranqüilos e prontos para usufruir, mais um dia, do prazer de ir à praia tomar banho na águas límpidas do mar.
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