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|| Marlene Dalva da S. Rothbarth ||
 

Curso de Pedagogia, Professora aposentada do quadro do magistério estadual. Exerceu cargo de professora no curso de magistério do Colégio São José e Escola de Aplicação da UNIVALI.Diretora de escola pública estadual, professora assistente de psicologia da educação e medidas educacionais na UNIVALI. Escritora e articulista em vários jornais da cidade de Itajaí. Escreveu quatro livros sobre genealogia e história de famílas de Itajaí: Uma história de Família,1999; Famílias de Itajaí, mais de um século de história, v.I, 2001; A Saga da Família Asseburg, 2003; Famílias de Itajaí mais de um século de história, v. II, 2005

 
Uma atividade extraclasse nas escolas públicas
 

Liga Pró-Língua Nacional. Assim era chamada a associação instituída nas escolas públicas e considerada como atividade extraclasse para estimular o sentimento patriótico e o amor pela língua portuguesa. No início do ano a diretora convidava uma professora para coordenar as atividades e promover a eleição dos alunos que dirigiriam a associação. A diretoria era composta de presidente, vice-presidente, secretário, e vogais.
Reuniam-se mensalmente e programavam as atividades de acordo com o calendário cívico. Competia também à diretoria estimular a confecção de álbuns com fotos, gravuras, poesias e textos referentes a lugares ou a vultos nacionais que cada classe organizava. Outra atividade da associação era manter correspondência com alunos de outras escolas do Município ou do Estado. Nas reuniões mensais eram lidas as cartas enviadas para eles e a diretoria solicitava que fossem respondidas, além de estimulá-los a escrever para outras escolas.

Todos os sábados realizavam-se a homenagem à Bandeira sob a responsabilidade de uma classe escolhida pela Liga Pró-Língua Nacional. Os professores ensaiavam poesias, canções ou pequenas dramatizações de cunho cívico e os alunos declamavam e cantavam com grande entusiasmo. De manhã, após o sinal, todas as classes faziam filas de dois e o professor, à frente, mandava seus alunos formarem por altura e pedia para tomarem distância com o braço esquerdo. Em seguida, um aluno era convidado a hastear a Bandeira enquanto era cantado o Hino Nacional. Todos cantavam, entusiasmados, até os pequeninos do primeiro ano que, muitas vezes, inventavam palavras porque não entendiam o que ouviam e não sabiam, ainda, a letra inteira do hino.
Cabia também a essa associação programar as festas da escola como a Páscoa, Dia das Mães, dos Pais, da Criança, do Professor, da Árvore e as festas cívicas, principalmente a Semana da Pátria, o Dia da Bandeira e da Proclamação da República. Os professores se preocupavam em escolher alunos que demonstrassem facilidade para declamar e ensinavam postura, entonação de voz e gestos. Todas as classes ensaiavam hinos e canções alusivas às datas. O hino mais difícil era o de Santa Catarina, preparado para cantarem no dia 25 de novembro. Além da programação, os professores faziam com os alunos alguns cartazes que eram colocados em vários locais da escola lembrando a data. Todas as comemorações cívicas iniciavam com o Hino Nacional e terminavam com o Hino à Bandeira.

Ao final do ano, a professora coordenadora e a diretoria da Liga Pró-Língua Nacional se reuniam para fazer um relatório das atividades realizadas, que era entregue à diretora da Escola para ser anexado ao relatório geral e enviado à Inspetora Escolar. No final do relatório havia sempre uma frase que incentivava o amor à pátria. Às vezes era “Tudo pela grandeza do Brasil” ou “Tudo para o engrandecimento da Pátria Brasileira.”

Hoje, ao relembrar estes momentos da vida escolar, fico avaliando o que a escola da metade século passado realizava para desenvolver nos alunos tantos comportamentos valiosos para formar o cidadão. Esta associação desenvolvia a sociabilidade e o conhecimento da língua através da correspondência, despertava o lado artístico e literário através da leitura e declamação de poesias, gosto pelo canto e finalmente, formava em cada aluno o espírito de brasilidade, de amor pelo seu país.

 
* O conteúdo desta coluna não representa a opinião do Portal Itajaí Virtual.
 
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